“O que você procura, também procura você”
- Izabelle Ferreira Trombino

- 29 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
Existem momentos na vida em que não sabemos exatamente como chegar a determinado lugar, tampouco temos clareza sobre qual direção seguir. O mundo contemporâneo nos oferece uma gama tão vasta de possibilidades, que escolher tornou-se uma tarefa complexa, até angustiante. Para alguns, as oportunidades, embora existam, não são plenamente acessíveis — por fatores sociais, emocionais ou estruturais — e, portanto, não se configuram como reais possibilidades.
Há aqueles que desejam ardentemente chegar a um lugar onde possam concretizar parte dos seus sonhos. Outros, no entanto, sequer sabem ainda o que desejam. E não saber o que se quer pode gerar uma sensação profunda de vazio, de deslocamento. Muitas vezes, nesse estado, as pessoas se lançam em situações problemáticas, em experiências que, mais tarde, reconhecem não terem sido aquilo que buscavam (e ainda precisam lidar com consequências das suas escolhas). É como se, no afã de preencher uma ausência ou responder a uma expectativa externa, fossem conduzidas sem consciência para cenários que, ao final, revelam-se inadequados ou até mesmo prejudiciais.
Esse movimento impulsivo, muitas vezes, não é racional: é guiado por forças internas, muitas delas inconscientes. O inconsciente — essa dimensão profunda da nossa psique — exerce uma influência silenciosa, mas poderosa, sobre nossas escolhas. Ele funciona como um radar oculto, captando desejos, medos, traumas e expectativas que, muitas vezes, desconhecemos ou preferimos ignorar. Assim, mesmo quando acreditamos estar decidindo com total liberdade, frequentemente somos guiados por conteúdos inconscientes que nos atraem para determinadas experiências ou repetem padrões vividos anteriormente.
À medida que amadurecemos, passamos a reconhecer esses movimentos inconscientes. Ganhamos mais recursos internos para perceber que certas escolhas que antes pareciam inevitáveis eram, na verdade, respostas automáticas, moldadas por nossa história e pelo momento de maturidade em que estávamos inseridos. Esse processo de conscientização é doloroso, mas também libertador: começamos a assumir responsabilidade por nossa trajetória, entendendo que, embora não possamos controlar todas as circunstâncias, podemos nos tornar mais conscientes dos nossos impulsos e direcionar melhor nossos passos.
Por isso, quando sabemos minimamente onde queremos chegar — mesmo que seja apenas um rascunho, um esboço impreciso —, nossa realidade começa a se desenhar de forma mais coerente e alinhada com quem realmente somos. Esse movimento não é fruto de mágica, mas de um processo contínuo de autoconhecimento, de confrontação com nossos limites e potencialidades.
A vida é, por natureza, inconstante e cheia de movimentos. Ela não cessa de nos surpreender, assim como o nosso inconsciente, que, vez ou outra, prega peças, nos levando a repetir erros ou a resistir ao novo. Entretanto, quanto mais amadurecemos, mais conseguimos transformar essas armadilhas internas em aprendizado, e nossos impulsos inconscientes deixam de ser apenas forças desgovernadas para se tornarem aliados na construção de um caminho mais autêntico, desenhando passo a passo, nossa própria história.



Comentários